quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Aula no Horto

O grupo Quinta das Plantas foi agraciado com uma aula do Prof. Alésio dos Passos.
Tivemos a oportunidade de andarmos pelo horto, desfrutando dos aromas e sabores, das texturas e das cores, acompanhados da "chuva" de informações científicas, curiosidades e saberes populares do nosso querido bruxo.
Foi uma tarde alimentadora para a nossa mente e relaxante para o nosso corpo.









quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Erva Baleeira


A Erva Baleeira é uma planta genuinamente brasileira, típica da Mata Atlântica, muito encontrada nas regiões litorâneas do sudeste e sul do País.

Até a pouco tempo a erva trazia o nome botânico de Cordia verbenacea, porém atualmente ela é denominada de Varronia curassavica Jack, tendo ainda outras sinonímias como Varronia verbenacea (DC.) Borhidi, Cordia curassavica auctt. bras. ex Fresen e Cordia salicina DC.

É uma planta da Familia das Boraginaceae, sendo um arbusto perene, muito ramificado e aromático. Suas inflorescências se apresentam terminais com pequenas flores brancas e os frutos são cariopses esféricas e vermelhas.
Essa planta tem vários nomes populares como: Erva-balieira, maria-milagrosa, caramona, erva-baleeira, erva-preta, maria-preta, catinga-de-barão, mijo-de-grilo, milho-de-grilo, salicina, cheiro-de-tempêro, etc.

Aqui na ilha encontramos muitas plantas pelas trilhas nos costões e praias. Contam os pescadores que o nome baleeira é porque ao sairem para o mar com suas embarcações chamadas baleeiras, muitas vezes se machucavam batendo-se na própria embarcação com o balanço das ondas e então esfregavam as folhas dessa erva no local da batida e segundo eles era alivio instantâneo.
O nome cheiro-de-tempêro dado por alguns é devido ao uso dessa erva na culinária, o cheiro se assemelha a um caldo de galinha e é usado para temperar caldos e molhos.
Os frutos são atrativos de pássaros.

A erva baleeira é comprovadamente um ótimo antiinflamatório, além de ser cicatrizante, analgésica, diurética, tônica, antiartrítica e antiulcerogênica. É usada também para gota, dores musculares e da coluna, reumatismo, artrite reumatóide, prostatites, nevralgias e contusões e também para feridas externas e úlceras. O chá em infusão melhora os sintomas dispépticos e aumenta a diurese.

Popularmente a planta é usada também em forma de cataplasmas, tintura ou alcoolatura, as pastorais da saúde também produzem cremes e pomadas de uso externo.
Temos hoje também disponível no mercado um creme de erva baleeira chamado Acheflan, de uso tópico com propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, idealizada por um dos proprietários dos Laboratórios Aché, Victor Siaulys (falecido em 2009) que em passeio no litoral e distante de qualquer farmácia, sentindo muitas dores musculares foi medicado por um morador local que lhe aplicou a tal erva-baleeira e o resultado foi rápido, a dor passou e o empresário iniciou o trabalho de produzir uma pomada com essa erva nativa, O Acheflan foi desenvolvido e patenteado pela empresa farmacêutica Aché, tendo como pesquisadores e criadores o farmacêutico e doutor em Tecnologia Farmacêutica, Luiz Pianowski, proprietário do Kyolab, um laboratório de desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos e sintéticos, com sede em Valinhos, interior de São Paulo.e os dois parceiros e colegas farmacologistas Dagoberto de Castro Brandão e João Batista Calixto, da Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC.

Há na natureza uma ou outra espécie semelhante à erva baleeira, é a Cordia monosperma, chamada aqui na ilha de Trinca-Trinca, que é usada popularmente como antiinflamatória em banho de assento para a cura de hemorróidas.










terça-feira, 12 de agosto de 2014

Cozinhadinha (Cozinha Dinha)

Dinha é filha da minha madrinha / ela adora brincar de cozinhadinha / Arroz branco, feijão e farinha / com poucos tijolos faz logo um fogão / panela em cima da brasa; senta no chão / gravetos ardentes, água e sal na mão / Feijão queimado, arroz empapado / farinha grudada, nada do agrado / Gostoso demais! Come e faz figuinha! / Sabor da infância: cozinha, Dinha!

Pensa que é de chocolate, faz um quadradinho / só com água e terra: o barro vira um bolinho / Dá gosto de ver! Fica assim tão bonitinho!/ Vai rápido lá atrás daquela goiabeira / Chama o seu irmão que está de bobeira / Ele chega de supetão; com fome: o bolo some! / Ele mastiga, engole e nem sequer cheira / – Éca!!!! / Mas seu irmão, hein! Acabou com a brincadeira!

Antigamente nas cidades pequenas, lugarejos no interior, no campo, na roça; e eu creio que ainda hoje em muitos recantos deste nosso imenso país, as crianças ainda brinquem de cozinhadinha.
Uma brincadeira lúdica onde se montava um foguinho no quintal e saía-se catando tudo que havia por perto e pudesse ser comido, ou não, rsrsrs... mas era feito uma comidazinha ou uma cozinhadinha.

Hoje voltamos a ser crianças, nosso encontro foi uma cozinhadinha! 
O grupo se espalhou pela grande Sede da AFFESC e colheu muitos ingredientes interessantes. 
Com um tanto de criatividade, vontade e mão na massa, liderados pela Chef Cléa e a Farmacêutica Viviane, os participantes se reuniram no salão e o resultando do trabalho foi tão maravilhoso que na hora da degustação o único som que se escutava era uma suave canção: hum hum hum!!

E de lambuja, como diz o gaúcho, deixo umas receitas da nossa cozinhadinha.

CHUTNEI DE MANÁ CUBIU
1kg de maná cubiu
2 a 4 xícaras de açúcar mascavo
3 pimentas dedo de moça sem sementes
50ml de vinagre
3 folhas de pimenta da jamaica
Uvas passas
Descascar o cubiu, cortar em pedaços, acrescentar o açucar e os outros ingredientes e cozinhar até que derreta todos os ingredientes (fica parecido com uma geléia, bem mole).

PESTO DE MANJERICÃO E CAPUCHINHA
Um maço de manjericão
Um maço de capuchinha com talo, folhas e flores
1 dente de alho
100g de parmesão
100g de amêndoas (pode usar castanhas ou gergelim) 
Azeite de oliva
Bater tudo no pulsar do liquidificador até virar uma pasta, ou melhor, um pesto.

PESTO DE PINHÂO E RÚCULA
8 pinhões cozidos
2 xícaras de rúcula
Azeite de uva
Um pouco de água
Bater tudo no liquidificador até virar pasta

DÔCE DE NÊSPERA (Ameixa de Inverno)
Ferver 3 copos de água com 1 copo de açúcar até formar uma calda rala
Descascar as nêsperas, deixar as sementes.
Mergulhar as nêsperas na calda e cozinhar até amolecer as frutas
As sementes conferem às frutas um sabor idêntico ao da amêndoa. Inclusive a  semente pode ser comida e o sabor é deliciosamente amendoado.

RISOTO DE TALOS E FLORES DO CORAÇÃO DA BANANAEIRA
Cozinhar arroz integral vermelho
Ferver separado talos de folhas de cenoura para o caldo
Abrir o coração da bananeira, retirando as flores e cozinhar em água. Após a primeira fervura, acrescentar suco de limão ou vinagre para eliminar o tanino das flores. Ferver novamente. As flores vão escurecer com o cozimento.
Refogar talos de cenoura, beterraba ou outros, acrescentar as flores cozidas e o caldo e acrescentar o arroz. Servir com salsa picada.


Orientações da Chef

Maná cubiu


Cozimento do Maná cubiu

Chutnei de maná cubiu quase pronto

Preparando as flores da bananeira

Flores do coração da bananeira

Cozimento das flores

Preparando o pão

Colhendo os ingredientes para a cozinhadinha

Nêsperas

Adicionar legenda

Chef Cléa

Batata Yacon

Yacon fatiada para a salada

Picando os talos

Preparando o pesto de capuchinha

Mesa pronta

Missão cumprida. Sorriso de satisfação!

Degustação

Clique sobre a imagem para visualizar melhor.
Pratinho pronto! 



sábado, 19 de julho de 2014

Quinta no viveiro

O grupo se reuniu nesta quinta-feira no novo viveiro da Sede. Está ficando bonito e organizado, com bancadas de materiais reaproveitados, enfeitado de vasos e mudas, acarinhado pelos amantes da natureza, mãos que se comunicam com a terra, mãos que multiplicam a vida.
Neste dia nos dedicamos a limpar os "matinhos" que invadiram as mudinhas no viveiro, refizemos algumas mudas, transferimos outras, fizemos mudas de Yacon e conhecemos a Raiz Forte.
Foi um encontro agradável, onde trocamos conhecimentos e nos alegramos com o trabalho.

YACON
Nome Científico: Smallanthus sonchifolius (Poepp.) H. Rob.
Família botânica: Asteraceae (Compositae)
Planta nativa das regiões montanhosas e altas da Cordilheira dos Andes (Venezuela ao norte da Argentina). O Peru é o principal país produtor.
Uso popular:
Brasil: folhas secas, trituradas e preparadas na forma de infusão, usado como hipoglicemiantes.
Bolívia: raízes cruas como diurético em afecções do rim e da bexiga, decocção (ou suco) da raiz em casos de cistite, hepatite e nefrose.
Peru: cataplasmas quentes com as folhas para mialgias e reumatismo
Obs: O uso do yacon em diabetes foi aprovado pela SecretariaMunicipal de Saúde de Diadema, São Paulo.
A inulina também aumenta a absorção de cálcio em humanos. Estudos realizados com mulheres jovens demonstraram que a administração diária de 8g de inulina + oligofrutose durante 3 semanas aumenta a absorção de cálcio, chegando a resultados semelhantes a outros estudos com humanos, porém com grupos menores (Griffin, et al., 2002; Abrams, et al., 2005).  (Alonso & Desmarchelier, 2005).

Consome-se a raiz in natura ou em saladas de frutas. A raiz possui sabor semelhante ao da pêra.
O yacon é utilizado também como edulcorante e aromatizante em alimentos, em especial iogurtes probióticos.
Devido o efeito hipoglicemiante, deve-se consultar um médico para combinar extratos de yacon com outras drogas hipoglicemiantes.


RAIZ FORTE
Nome Científico: Armoracia rusticana
Família botânica: Brassicaceae (antes Cruciferae)
Nativa da Europa Oriental e Ásia Ocidental. Utilizada pelos povos europeus. 
Antigamente, na Europa Medieval, misturava-sem a raiz-forte ao vinagre e usava-se em peixes e carnes. Atualmente as raizes são muito utilizadas, principalmente na Alemanha, no preparo dos molhos e para temperar cozidos de carne, verduras, conservas de verduras como o chucrute, além de ovos, omeletes, e até mesmo preparando vinagres aromáticos, molhos, presuntos e embutidos.
Rica em óleos essenciais, responsável pelo seu aroma e seu sabor característico. Possui também resinas de sabor amargo, ácido acético, acetato de cálcio, sulfato de cálcio, sais minerais e vitaminas, principalmente a C e A. Possui ação anti-séptica, antiescorbútica, digestiva, estimulante, estomáquica, laxativa, vermífuga e diurética. Pode ser utilizada no tratamento de gripes, resfriados, febre, e até mesmo em infecção urinária. Externamente pode ser utilizada em forma de cataplasma no tratamento de reumatismo, dores musculares e até mesmo bronquite. Na Europa eles preparam um xarope para o tratamento da rouquidão.


Receitas Européias 
-Misturar um copo de yogurte fresco, 2 colheres de raiz-forte, 1 colher de alcarávia (tipo de cominho) e sal a gosto. Mexer bem e deixar na geladeira. Servir com legumes cozidos e crus, como antepasto.

-Geléia de maçã com raiz-forte
1,5kg de maçãs picadas em pedaços, com casca e tudo, cozidas em um pouquinho de água, amassadas e peneiradas. 
Levar o peneirado ao fogo novamente com 2 xícaras de açúcar e meia xícara de raiz-forte. Mexer até dar o ponto de geléia.

Ponto de geléia: Quando o líquido na panela estiver ficando espesso, colocar um pouco da geléia em um prato com água e com os dedos tentar fazer uma bolinha. Se a geléia se desmanchar é porque ainda não está pronta, agora se a gotinha ficar inteira é porque já está no ponto. 

Visitem a página
 http://blogs.estadao.com.br/paladar/isto-e-wasabi/ para saber a diferença entre raiz forte e wasabi.



Abertura do encontro
Seleção das raízes de yacon
Fazendo mudas de yacon
Grupo trabalhando



Batata Yacon
Aperitivo de yacon
Raiz-forte

sábado, 12 de julho de 2014

Dente-de-Leão



Planta herbácea vivaz, lactescente (leitosa), acaule e cespitosa (cresce lançando novos brotos de maneira aglomerada, formando uma touceira), que cresce de 5 a 30cm em altura e cuja raiz pivotante amarelada pode atingir até 40cm. 
A parte aérea da planta é anual, mas a subterrânea é perene. 



Folhas em roseta basilar densa, glabras, radicais, oblongas ou lanceoladas, polimorfas, runcinado-pinatífitas ou pinatipartidas, segmentos ou lobos desiguais, triangulares ou oblongos, agudos, incisados ou denteado-acuminados, sendo o terminal mais amplo, com os segmentos laterais virados para a base. 




Flores amarelo-intenso, liguladas, formando um grande capítulo com invólucro duplo de brácteas externas mais curtas voltadas para baixo, disposto sobre um comprido pedúnculo radical de cerca de 15 a 30cm, glabro ou araquináceo, ereto, oco, monocéfalo, cilíndrico, fistuloso.


 Fruto aquênio cinzento-azulado, oblongo-fusiforme, estriado, terminando com papilhos de pêlos brancos, radiados, sedosos, formando uma armação globóide que se rompe facilmente com o vento, resultando na disseminação das sementes.


Rizoma vertical, espesso, castanho-escuro e esbranquiçada no corte, exsudando látex branco, com cerca de 1cm de diâmetro, donde partem simultaneamente as folhas e os escapos floríferos.

NOME BOTÂNICO 
Taraxacum officinale Weber.

FAMÍLIA BOTÂNICA 
Asteraceae.

OUTROS NOMES POPULARES
Amargosa, alface-de-cão, alface-de-côco, relógio-dos-estudantes, chicória-louca, chicória-silvestre, coroa-de-monge, salada-de-toupeira,dente-de-leão-dos-jardins, frango, quartilho, radite-bravo, soprão, taraxaco.

HABITAT
É uma espécie alóctone, ou seja, não tem suas origens no lugar onde existe. Ela é originária de Portugal.
É encontrada até 2.000m de altitude. Cresce subespontaneamente em todo Brasil, principalmente como planta invasora de hortas, pomares e áreas degradadas, com aterros, cascalhos, etc (ruderais).
É de clima temperado, mas encontra-se disseminada desde as regiões glaciais até o Equador.
Sob temperaturas mais altas, as folhas e a planta tornam-se pequenas, quase rentes ao chão. É esciófita (adaptada a se desenvolver na sombra.).
Prefere solos areno-argilosos, não muito úmidos.

PROPAGAÇÃO
Sementes, divisão de touceiras ou meristemas da cepa.
O plantio ocorre no outono e deve ser feito diretamente no campo, pois o transplante de mudas interfere na formação da raiz.
As sementes não devem ser enterradas, pois a falta de luz retarda ou inibe a germinação (sementes fotoblásticas). Deve-se somente depositar as sementes sobre o solo e comprimi-lás para maior fixação, irrigando 2x ao dia.
As lindas flores amarelas aparecem mais intensamente no início da primavera.
Para uma melhor produção de rizomas, deve-se eliminar o pendão floral.
A colheita inicia-se cerca de dois meses após a semeadura e é feita durante o ano todo (folhas) ou do outono ao inverno (raízes). A planta libera etileno, podendo afetar a fisiologia de plantas companheiras (alelopatia negativa)

PARTES UTILIZADAS 
Rizoma, folhas e inflorescência.

FITOQUÍMICA
Raizes: inulina (até 25%), derivados triterpênicos pentacíclicos provenientes do látex (isolactucerol, taraxerol, taraxasterol, acetatos e seus 16-HO-derivados), lactonas sesquiterpênicas (taraxicina, derivados do ácido taraxínico, 11-b-13-dihidrolactucina, ixerina D, ainslioside), uma resina ácida (taraxerina), goma, mucilagem (1%), fitoesterois (beta-sitosterol, estigmasterol), tiamina, ácidos graxos (ácido mirístico, palmítico, linoleico, linolenico), ácidos fenilcarboxílicos (ácido cafeico, clorogênico e p-hidrofenilacético), água (10-14%), frutose (até 18% na primavera), saponinas, glucosídeos benzílicos, beta-frutofuranosidase (enzima que despolimeriza a inulina), dihidroconiferina, siringina, dihidrosiringina, carotenóides, óleorresina fitosterol, óleo essencial e ácidos dioxinâmico,
p-oxifenilacético e tartárico.
A planta contém ainda, alcalóides, lactucopicrina, colina, levulina, pectina, tanino, altos níveis de ferro, pro-vitamina A, vitaminas (A, B, C, D, ácido nicotínico, nicotinamida), minerais de cobre, sais minerais: manganês, magnésio, ferro, silício, cobalto, níquel, sódio e notadamente potássio e cromo.
Folhas: flavonóides (apigenina, luteolina), vitaminas B, C e D, provitamina A (em concentração maior que a da cenoura), potássio, germanólidos, carotenóides (luteína, violoxantina), taraxacina (princípio amargo do grupo das lactonas sesquiterpênicas), aminoácidos (asparagina, glutamina) e cumarinas. Contém 9,73% de carboidratos 2,45% de compostos nitrogenados e 0,62% de matéria graxa (93).
Flores: lecitina, carotenoides (criptoxantina, crisantomaxantina, violaxantina, flaxantina, luteína, luteína-epóxido, criptoxantina-epóxido), taraxacina, beta-amirina, beta-sitosterol, vitamina B2, arnidiol, farnidiol, lipídeos (acilglicerídeos e ácidos graxos).
Látex: de cor branca e amargo, contém álcool cerílico, glicerol, ácido tartárico, lactucerol alfa e beta, derivados triterpênicos pentacíclicos descritos na raiz.
Pólen: cicloartenol, cicloartanol, 31-norcicloartanol, pollinastanol.

PROPRIEDADES ETNOTERAPÊUTICAS e AÇÕES FARMACOLÓGICAS
É tônica, por isso melhora a astenia (perda ou diminuição das forças ou da resistência do sistema nervoso). Funciona bem como antianêmica também.
Aperiente (estimulante do apetite)
Antiescorbútica,
Anti-reumática
Alcalinizante,
Anti-hemorrágica,
Antilítica biliar (evita a formação de cálculos e dissolve os existentes)
Anti-hemorroidária,
Antiinflamatória
Anódina (diminui ou elimina a dor)
Colagoga: (Inibe a secreção dos ácidos estomacais e promove a secreção biliar)
Colerética,
Depurativa do sangue
Expectorante,
Febrífuga,
Hipocolesterolêmica, hipoglicemiante e anti-hipertensiva
Laxativa,
Sudorífica,
Planta com efeito diurético importante, confirmado em estudos com seres humanos (Clare, et al., 2009).
Estimulante digestiva e depurativa hepática. O taraxaco, um composto do dente-de-leão, aumenta a secreção dos sucos gástrico e salivar, estimula a liberação de bile da vesícula biliar e do fígado, e atua como laxativo leve. Os resultados obtidos de estudos em animais e em seres humanos mostraram melhora na icterícia, hepatite e inflamação do ducto biliar.
A planta possui atividade anti-inflamatória e anti-nociceptiva através da inibição da produção de óxido nítrico e expressão de COX-2 e atividade antioxidante (Jeon, et al., 2008). Num pequeno grupo de paciente, a raiz do dente-de-leão foi utilizada com sucesso no tratamento da colite inespecífica crônica, produzindo alívio da dor abdominal, constipação e diarreia (Fetrow & Avila, 1999).

USO
Para distúrbios da função digestiva (estomacal, hepática, biliar, intestinal e prisão de ventre) e como diurético, é recomendado seu extrato alcoólico, preparado amassando-se em pilão 2 colheres de sopa de raízes e folhas picadas e deixando em repouso por 3 dias em 1 xícara de chá de álcool de cereais a 75% administrando 1 colher de chá diluída em um pouco de água antes das principais refeições.
Pode-se também empregar na forma de decocção, fervendo por 5 minutos, e tomando de 2 a 3 xícaras diárias (Alonso, 2004).
Para afecções de pele do rosto (pruridos, eczemas, escamações e vermelhidão) e irritação nos olhos, é recomendado o uso externo do seu chá, preparado com 1 colher de sopa de raízes picadas em 1 xícara de chá de água em fervura por 5 minutos e adicionando-se 1 colher de sobremesa de mel após esfriar e coar. Aplicar no rosto e inclusive nas pálpebras, com um chumaço de algodão, 2 vezes por dia, de preferência antes de deitar (Lorenzi & Matos, 2002; Panizza, 1997).
Para casos de cálculos biliares, e processos iniciais de cirrose e hepatite, recomenda-se a infusão da raíz fresca, na proporção de 1 colher da raíz para uma xícara de água. 

FORMAS DE USO
- Macerado: deixar macerar por 1 dia 1 colher das de chá de raízes em 1 xícara das de chá de água. Tomar ½ xícara antes das refeições (desintoxicante hepático e depurativo).
- Decocção: tomar 2 ou mais xícaras ao dia.
- Vinho: 1 colher das de raízes em ½ copo de vinho tinto seco. Deixar macerar 10 dias. Tomar 1 cálice antes das refeições (aperiente)
- Suco: bater no liqüidificador 4 folhas, água (1 copo) e gotas de limão. Tomar 2 a 3 colheradas do suco ao dia
- Salada: raízes e folhas novas podem ser consumidas cruas como estimulante da digestão.
. As folhas, flores e as raízes podem ser consumidas como hortaliça.
. As flores fritas constituem um ótimo manjar, e as sementes também são comestíveis.
. As raízes, torradas e moídas, dão origem a um produto sucedâneo do café, conhecido como "café de chicória".
. A planta também é forrageira, especialmente para coelhos, carneiros e vacas, por aumentar a lactação e a qualidade do leite.-
. A planta é apícola (atrai abelhas para produção de mel).


CONTRA INDICAÇÕES
Menores de 2 anos, gestantes ou lactantes
Cálculos biliares, inflamações na vesícula ou obstrução do trato gastrointestinal
Pessoas que utilizam medicamentos como anti-hipertensivos, antidiabéticos e diuréticos pode causar hipoglicemia, hipotensão e desidratação.


FONTE BIBLIOGRÁFICA

Horto Didático de Plantas Medicinais do HU.

JUNIOR, ANTONIO AMAURY SILVA. Apostila -EPAGRI -SC - Estação Experimental de Itajaí

LORENZI, H; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002. p. 177.